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Percepção do cotidiano

Aos seis anos de idade a gente é aventureiro o suficiente para pular da parte alta do sofá sem medo. Entre um tombo e outro, muitas gargalhadas.

Aos quinze anos tudo se torna um grande tédio e com fones de ouvido levantamos do sofá à cama ignorando todos à nossa volta, afinal ninguém nos entende.

Aos dezoito anos a gente se sente pronto para enfrentar tudo e a todos. O mundo é pequeno e frágil comparado a nossa vontade de tê-lo nas mãos. Liberdade e revolução! E boletos.

Aos vinte anos a gente percebe que a vida está passando rápido demais, que temos coisas para nos preocupar demais, objetivos a serem alcançados demais, expectativas a serem superadas demais. E boletos demais. E nessa parte a gente começa a pensar e repensar a vida (ou pelo menos deveria), se realmente estamos vivendo como gostaríamos ou apenas atendendo aos anseios da sociedade.

Aos vinte e poucos anos, gargalhando ao lembrar das aventuras no sofá da sala, sem fones de ouvindo - pois não posso ignorar o mundo em minha volta -, com outra percepção de liberdade e entendendo que há muitas formas de fazer revolução, olhando para pilha de boletos perto de vencer e refletindo sobre uma série de coisas sem resolução, porque apesar de a vida passar voando, a gente precisa tirar um tempo pra pensar - e escrever. E questionar.
Foto: Londres (Pra ver o mundo)
Aos vinte e poucos anos a gente precisa MESMO ter o melhor emprego? Ou o melhor carro? Ou muitos amigos nas redes sociais? Ou acumular uma pilha de boletos ocasionados por consumir uma pilha de coisas inúteis que a sociedade nos influenciou a comprar? A vida que a gente leva é a vida que a gente realmente quer levar ou que os outros esperam que levemos?

Não quero falar de consumismo e a forma de encarar a vida, mas refletir de como nossa percepção do cotidiano e do que nos rodeia muda com o tempo. Talvez a gente sempre seja a mesma criança de seis anos pulando do sofá, porém com outra percepção (e joelhos desgastados).

Talvez a gente só queira mesmo o melhor emprego, o melhor carro, muitos amigos e conseguir pagar todos os boletos (em dias, sem juros <3). Ou não e tudo bem também. Ou simplesmente isso se tornou e provavelmente daqui a dez anos não seja o que importa.

O que importa é que a gente viva da melhor forma, sem excesso de cobrança, de forma plena, tirando um tempo para rir sempre, ouvir hardcore com fones de ouvido e ignorar todo mundo quando necessário e pular sem medo do sofá quando puder (e enquanto os joelhos permitirem).

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