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Mostrando postagens de outubro, 2012

Como num relicário de mim

ELA: Vem cá, chega mais perto do lado esquerdo do peito e fica um pouco mais, deixa eu pegar uma caneca de chá quente e te servir na varanda da minha casa, deixa eu te olhar por algumas horas pra guardar em mim cada detalhe dos teus traços enquanto se move, como num relicário de mim, me inunde. Me pegue pelos dedos e me tire pra uma dança costumeira, enquanto eu sinto o pulsar do teu coração tão assustado. Tu vens de um lugar distante, faz história e deixa pegadas por onde leva teus passos, gravou em mim a marca do sentir e querer de uma forma como nunca havia imaginado antes, tua pureza um tanto minha, teu eu um tanto meu. ELE: Já não precisa esperar mais, estou aqui bem pertinho de ti, me serve esse chá e vamos conversar, me fala sobre o seu dia, reclama do seu chefe, borra esse batom vermelho na minha melhor camisa e me completa, como sempre fez. Deixe-me bagunçar seus cabelos enquanto te conforto e te protejo dos seus medos, dos nossos medos. Tu marcou a minha vida e me entendeu ...

Andar

Dizem pra gente sempre levantar a cabeça, nunca desanimar, engolir o choro e ir adiante. Que só assim atingiremos o sucesso e a vitória. Mas, saiba, o caminho é feito também de cabeça baixa para olhar o chão da humildade; é feito do desânimo que nos lembra que somos humanos, temos limites e a falibilidade é parte da nossa natureza; é feito do choro que serve de suspiro para aliviar o copo cheio do que não damos mais conta e que já não dá mais pra engolir. Quando alguém aponta a lua, o poeta olha o dedo. A lua é linda, mas é fundamental para o equilíbrio psíquico olhar o dedo para entender seu sentido vez em quando. Ganha-se muito ao desacomodar olhares. A janela faz parte da paisagem. Ela precisa que dela tirem a poeira que a toma, necessita que se suas dobradiças sejam lubrificadas, carece que se seus vidros sejam limpos. A vida requer pausa para manutenção. Seja uma oração, um livro, uma música, um silêncio, um abraço. Aí, sim: levante a cabeça, não desanime, engula o choro e...