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Medo do fim

"Tenho motivos pra crer que ainda não é hora..." - ♪ 

Os dias passam depressa, são ligeiros e não sentem-se culpados por não esperar. É fatigante olhar no espelho e deparar-se com uma imagem (demasiadamente) transformada. Em tão pouco tempo já não é possível reconhecer tal reflexo. Muitos anos se passaram, e passaram despercebidos, pois me perdi em meu próprio emaranhado de desculpas e motivos pra calar-se. Num barco à vela, levei minha vida, sem destino, seguindo as vontades do mar e esperando o vento soprar. Eu sei que o bom da vida é poder guiar-se, arriscar-se, mas com as próprias pernas, e foi entendendo isso que passei a desamarrar os laços que me prendiam na utopia de que tudo daria certo e de que o final feliz sempre aconteceria... Só assim passei a ter controle e pretensão sobre os caminhos que passei a navegar, sobre as situações que passei a enfrentar. A sensação de ficar parado no tempo enquanto o tempo passa é apavorante, mas única e reparadora, pois ao passo que isso ocorre, percebe-se que é necessário aproveitar tudo, o quanto antes. O que aprendi com tudo isso?  Que o abismo pode até ser muito profundo, mas se eu quiser, eu posso pular sem medo de cair e me espatifar, sem me importar com o que todos vão dizer, pois não interessa a ninguém para onde vou, onde quero chegar ou onde quero estar. Aprendi que é necessário aproveitar o agora e sorver de tudo um muito, antes do fim. Entrei nesse jogo chamado vida, que a cada dia torna-se mais difícil graças ao meu ótimo desempenho em passar de fases. Que venha o chefão, pois não tenho medo do fim!

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