Apesar de ter todos os motivos para te odiar, não odeio. Apesar de não significar nada para mim, eu não consigo ficar longe de ti. Não sei o que sustenta essa conexão, afinal, nem faz o meu tipo. Não te amo, sei muito bem disso, mas te quero bem... É incrivel a facilidade que tens para me ganhar, mesmo sem o menor esforço ou tentativa. Mesmo se o que fez, tenha sido para me afastar. Engraçado, triste... Parece até que você finge que não existo. Daí faço o mesmo, sem êxito, óbvio. Passo algum tempo sem pensar em ti, até que me aparece com uma menção qualquer, trolando um tuite meu e aí, pronto... Tudo o que eu disser até o fim da semana, saiba que é pra você. O pior é a sensação de que todos os textos que escreve, são para mim. Até aqueles que não são legais, amo, de uma forma desnecessária. Não, não são para mim, mas os quero e digo que me pertencem. Ouso até, em chamar-te de minha escrevedora. Minha escrevedora, minha... repito várias vezes, mentalmente, até a frase perder o sentido. Desde sempre, tudo isso, não tem sentido. Esse "apego" platônico, babaca, que me consome. Não tem sentido. Sentido algum. Escrevedora.
Após o dia tenso que tive, tudo girava. E lá estava eu, no cício diário (ou seria noturno?), naquele quarto gelado. Lembro-me bem de cada detalhe, das rendas da cortina velha da janela, ornada pela luminária da rua, da cor envelhecida da tintura da parede, que se parecia com um verde musgo e aquele guarda-roupas, branco, brilhante. Me recordo também, que ao lado da escrivaninha tinha um poster do Pearl Jam, que se destacava em meio a tantos outros, colados na parede: Aquele cisne jorrando tinta preta (sangue?) com um olhar estranho. Não vou esquecer a cara daquele pato metido a besta me encarando. Minha cabeça latejava. Eu não conseguia, se quer, fechar os olhos. Tudo estrondava, até as batidas leves do Jazz, no barzinho da esquina. Parecia que tudo explordiria. Subtamente surge uma luz, na frente do poster, tão forte que minha única opção foi fechar os olhos. E foi com os olhos fechados que pude ver, aquele homem alto, esguio e muito bem vestido, na minha frente. O cabel...

Eu passo pela mesma situação. Mas que droga de vida hein? :(
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