Após o dia tenso que tive, tudo girava. E lá estava eu, no cício diário (ou seria noturno?), naquele quarto gelado. Lembro-me bem de cada detalhe, das rendas da cortina velha da janela, ornada pela luminária da rua, da cor envelhecida da tintura da parede, que se parecia com um verde musgo e aquele guarda-roupas, branco, brilhante.
Me recordo também, que ao lado da escrivaninha tinha um poster do Pearl Jam, que se destacava em meio a tantos outros, colados na parede: Aquele cisne jorrando tinta preta (sangue?) com um olhar estranho. Não vou esquecer a cara daquele pato metido a besta me encarando.
Minha cabeça latejava. Eu não conseguia, se quer, fechar os olhos. Tudo estrondava, até as batidas leves do Jazz, no barzinho da esquina. Parecia que tudo explordiria.
Subtamente surge uma luz, na frente do poster, tão forte que minha única opção foi fechar os olhos. E foi com os olhos fechados que pude ver, aquele homem alto, esguio e muito bem vestido, na minha frente. O cabelo, empecavelmente penteado para o lado esquerdo e com a barba a fazer, ele sorrio e me encarou por alguns minutos. Eu não sabia o que fazer, não entendia o que estava acontecendo.
Finalmente ele começou a falar ou pelos era o que eu pensava que ele estava fazendo, até porque de ínicio, eu não conseguia compreender nada do que ele dizia.
"Não tente decifrar ou ler meus lábios, estava conversando com o Pai e não com você." - Ecoou no quarto. E continuou, - "Eu vim aqui por uma razão: a pedido do Pai. Lhe acompanho a algum tempo e já percebi que tentas encontrar e apertar um certo botão à dias. Um conselho: Não aperte. Você não tem idéias das consequências que isso traria a todos em sua volta".
Tentei falar, mas não conseguia.
Ele continuou. - "Ao invés disso, lhe sugiro que desligue outro botão, que diferente daquele, você acabou encontrando e apertando. Falha minha, admito."
Percebi que ele tinha em mãos, uma caixinha azul royal aveludada.
"Desligue o botão do foda-se, meu filho" - Eu não conseguia acreditar que aquele cara, que por alguns instantes achei que fosse um anjo (não podia ser um anjo), tinha se expressado daquela forma. - "A vida não é bem como pensas. É muito mais, tão maior. E não é agindo dessa forma que chegará aonde tú almejas. O Pai te ama e quer o melhor para você, mesmo com tua descrença em certos momentos. Ele nunca esteve longe de ti, nunca te abandonou e jamais te deixará só, porque Ele é maior. Coloque os pés no chão e caminhe com mais segurança, confie em você e principalmente Nele."
Naquele momento, eu já estava ao prantos. Ele abriu a pequena caixinha azul. Um pequeno botão vermelho iluminou o quarto e pude ver direito aquele homem, que não se apresentou e mesmo assim já sabia muito sobre mim, seduzia com sua brancura de sobejo, era diáfano, hipnotizante. Num sussurro, ele disse: "Aperte! Confie em mim."
Tentei resistir, afinal, minha teimosia linda, estava ali do meu lado, fazendo seu papel, claro. Mas não pude evitar... Apertei.
Tudo escureceu e quando abri os olhos, só restava o cisne me encarando. Eu estava chorando, e sorrindo também, sem entender direito o que houve, mas muito mais leve. Comecei a pensar em cada palavra que ele disse...
Tudo escureceu e quando abri os olhos, só restava o cisne me encarando. Eu estava chorando, e sorrindo também, sem entender direito o que houve, mas muito mais leve. Comecei a pensar em cada palavra que ele disse...
Dezoito segundos depois adormeci, feliz.
Deus proverá em sua vida. Abrç
ResponderExcluirAdorei esse texto! :D
ResponderExcluiradorei essa parte: Coloque os pés no chão e caminhe com mais segurança, confie em você e principalmente Nele. <3
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